Loading
Afeganistão

A queda de Cabul

O Afeganistão está perdido. Os afegãos foram literalmente abandonados, como mostram as imagens de centenas (talvez milhares) deles que desesperadamente tentam, em vão, encontrar uma brecha na fuselagem do Boeing C-17A Globemaster III da Força Aérea dos Estados Unidos.

Mas nada é mais perturbador que as imagens de homens despencando do céu. Seres humanos que diante da escolha de enfrentar a vida ou a morte sob o regime Talibã embarcaram em uma viagem suicida apostando que conseguiriam se salvar da tragédia como passageiros clandestinos da debandada dos americanos.

Não são fáceis as explicações para a decisão de a Casa Branca, apesar de todas as evidências da tragédia, ter tomado a decisão de manter a evacuação das tropas mesmo com as evidências de que o Talibã tomaria o poder rasgando o acordo de paz firmado no ano passado, ainda na administração de Donald Trump.

Para os afegãos e para parte da sociedade americana, inclusive aquela democrata, a decisão da Casa Branca foi além de uma traição ao povo afegão. O Talibã havia dado sinais claros de que não cumpriria os termos do acordo, mas Biden preferiu seguir firme em frente, como se nada tivesse saído dos trilhos.

A invasão do Afeganistão em outubro de 2001, se deu depois dos ataques de 11 de Setembro, no qual os terroristas da al-Qaeda, coordenaram os maiores ataques terroristas da história, justamente em solo americano.

São diversas a imagens simbólicas da tragédia e covardia do terrorismo. As Torres Gêmeas em chamas, o Pentágono violado, pessoas atordoadas e cobertas de pó depois do colapso das torres, as mensagens de pânico enviadas pelas vítimas nos últimos instantes de suas vidas. Mas uma em especial remonta ao dia de hoje. E ela está logo abaixo.

É a imagem do desespero.

Depois de anos de investigação chegou-se à possível identidade daquele homem. Norberto Hernandez. Um garçon latino que diante do horror que se avizinhava fez aquela escolha drástica. Lançou-se no vazio, escolhendo, talvez, algo que fosse menos horrível que as chamas ou o colapso do edifício.

Certamente jamais saberemos os nomes dos homens que foram caindo um a um do avião americano que decolou de Cabul. Eles, como Hernandez, fizeram uma escolha em meio ao desespero.

A queda de Cabul marcou o reinício de uma era de barbárie no Afeganistão. Mas a queda daqueles homens dá a dimensão do humano em algo que muita gente tende a ver como movimento político.

Aqueles homens que tentaram se agarrar nas frestas da fuselagem de um avião em decolagem não eram loucos irracionais. Eles fizeram uma escolha. E deixaram uma marca indelével na tragédia não só afegã, mas de todos nós.

 , , ,
Wordpress Social Share Plugin powered by Ultimatelysocial