Loading
Covid-19

Embaixador, cineasta, lobista

O governador do Piauí, o petista Wellington Dias, é também o presidente do Consórcio Nordeste, grupo que é o maior entusiasta da vacina russa Sputnik-V, até então rejeitada pela Anvisa. O PT de Dias postou um vídeo em que ele diz: “Eu fiquei como governador tendo que negociar com a China, com a Rússia. Ou seja, fazendo algo próprio da diplomacia brasileira”. E fez mesmo. Mas não quer dizer que fez bem.

Do outro lado do mundo, lá na Rússia, entre os interlocutores de Dias e seu consórcio Nordeste, estava o ex-embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Sánchez Arveláiz.

Se não fosse o vídeo do PT, cujo as partes feitas públicas mostram Sánchez Arveláiz caladinho enquanto só Dias fala, a presença discreta do chavista como vendedor de vacinas não poderia estar sendo exposta agora.

O ex-diplomata chavista, que virou lobista do Kremlin na venda de vacinas para os governos progressistas da América Latina, tem uma carreira excepcional.

Ainda como estudante caiu no gosto de Hugo Chávez, quando o venezuelano fez uma visita a Paris. Sánchez Arveláiz, quase que automaticamente virou o assessor de assuntos internacionais de Chávez.

Enquanto o brutamontes Nicolás Maduro era o chefe da diplomacia, Sánchez Arveláiz era quem assoprava no ouvido de Chávez conselhos sobre as malversações que o ditador patrocinou na América Latina e fora dela.

Sánchez Arveláiz era tão querido de Chávez que ele o mandou para assumir a Embaixada da Venezuela em Brasília. Posto que consagrou o agora vendedor de vacinas como interlocutor privilegiado e amigo dos petistas mais graduados.

Em fevereiro de 2011, depois de uma reunião com Lula, que havia deixado a presidência no mês anterior, Sánchez Arveláiz redigiu um telegrama diplomático para seus superiores Maduro e Chávez no qual dizia que Lula havia montado uma estratégia para reforçar a campanha de Chávez à reeleição. Pois, para Lula, “uma derrota de Chávez em 2012 seria igual ou pior que a queda do muro do Berlim”.

O ex-ministro José Dirceu ficaria a cargo das operações no Brasil e o marqueteiro do PT, João Santana, seria enviado para Caracas para cuidar da campanha chavista. Tudo pago por meio do esquema de desvio de dinheiro público e lavagem de dinheiro desvelado pela Operação Lava-Jato.

Um roubo provado e confessado, mas que deixou de existir por uma “mera questão processual”. Um viva aos gênios da tese do lawfare.

Depois de passar pelo Brasil, Sánchez Arveláiz se instalou em Washington, onde foi encarregado de negócios da embaixada de seu país nos Estados Unidos. Enquanto diplomata, ele, em um clássico caso de dupla jornada, foi o produtor-executivo do filme Snowden, dirigido pelo seu grande amigo Oliver Stone.

Usando apenas o nome Max Arveláiz, ele também assina a produção da série hagiológica The Putin Interviews.

Pouco antes de ser preso, Lula recebeu a visita de Sánchez Arveláiz e Oliver Stone para as tratativas da As entrevistas de Lula. Filme que nunca aconteceu.

Sánchez Arveláiz reaparece, agora, como o vendedor de vacinas representando o “Fundo Russo” e o próprio presidente Vladimir Putin.

Lula, o amigão de Sánchez Arveláiz, é também, de certa forma, um vendedor da vacina russa. Nos últimos meses não escondeu seus esforços para trazer as doses e ajudar a desenrolar a venda delas no Brasil.

O piauiense e seus consortes nordestinos chegaram a anunciar um contrato de compra de 37 milhões. A Anvisa barrou a aprovação do uso emergencial pelo fato de os russos não terem atendido todos os requisitos.

Mas os grandes heróis da pandemia são assim. São os mesmos de sempre. Amigos dos mesmos de sempre. E atuando como sempre.

 , , , , , ,
Wordpress Social Share Plugin powered by Ultimatelysocial