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América Latina

Passos de caranguejo

Na política, muitas coisas evoluem (ou não) como que em passos de caranguejo. Vão para frente, para trás, para um lado e para o outro e quase sempre param no mesmo lugar. A imagem acima foi captada em uma das maiores redes de supermercados dos Estados Unidos. Trata-se de caranguejo venezuelano, colhido no poluído Lago Maracaibo, local repleto de poços de petróleo com vazamentos e dutos abandonados.

A Venezuela está sob sanção dos Estados Unidos, mas a venda do crustáceo no mercado americano mostra que as coisas não são tão duras como parecem ou como Nicolás Maduro afirma.

No ano passado, o governo do Estado de Zulia, o chavista Omar Prieto, festejou o sucesso das exportações para China. O que passou a ser segundo ele, uma importante fonte de dólares para seu estado.

O chavista deve estar radiante com a remessa de 24.000 quilos de caranguejo desembarcados na Flórida em março deste ano. Foi o segundo carregamento a chegar desde dezembro passado.

Nicolás Maduro e seu regime reproduzem a estratégia cubana de colocar a culpa de seus fracassos em embargos e sanções impostas pelos Estados Unidos e outros países. Maduro tenta, por exemplo, convencer o mundo de que a queda da produção petroleira é resultado da “guerra econômica” empreendida pelos Estados Unidos e não o resultado de duas décadas de sucateamento da PDVSA.

Há tempos, muito tempo mesmo, não existe embargo Cuba. Os dados de navegação mostram o fluxo de cargueiros que entram e sem dos portos cubanos. Alguns deles aportam logo depois de terem deixado os Estados Unidos.

É evidente que os caranguejos de Maduro não são capazes de salvar a economia venezuelana, ou são os primeiros passos para normalização. Mas os crustáceos são a metáfora perfeita na relação dos EUA com Cuba e mais recentemente com a Venezuela. Parece que vai para frente. Mas apenas parece.

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