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Estados Unidos

Até parece o Brasil

As cenas da invasão ao Capitólio, nos Estados Unidos chocaram os cubanos, bolivianos e venezuelanos. Os traficantes de cocaína que dão expediente nos palácios de governo de La Paz, Caracas e Havana soltaram notas preocupados com o futuro da democracia. No Brasil, o choque foi tremendo. Que vexame. “Precisamos ficar alertas para não repetir os horrores que hoje vemos nos Estados Unidos”. É mais ou menos esta a ideia que circula de página em página seja impresa ou on line da imprensa chocada com o dia em que a América se mimetizou com as repúblicas bananeiras.

A invasão da sede do Congresso dos Estados Unidos é, de fato, um evento absolutamente deplorável. Um ponto fora da curva na mais longeva democracia do planeta.

Alguns dos vídeos tuba remetem claramente ao estilo black bloc de ação. Barbárie pura e injustificável.

Aos latinos, em especial aos brasileiros que temem que o Brasil reproduza a barbárie de ontem em Washington, D. C. é sempre bom lembrar que quem nos copiou foram os americanos.

A fotografia acima é de 2006. Mostra a invasão da Câmara dos Deputados por uma dissidência do MST que era comandada por um membro da executiva nacional do PT. E não foi a única vez. Índios, policiais grevistas, sindicalistas já invadiram e depredaram a sede do Legislativo brasileiro.

Infelizmente, é o Brasil que está na vanguarda da baderna.

Evo Morales – o líder cocaleiro que ocupou a presidência da Bolívia e estuprou a Constituição de seu país para se eternizar no poder – foi um dos primeiros a espezinhar os americanos pelo “golpe racista”.

Antes de ser presidente, Morales emparedou o país inteiro liderando protestos violentos que levaram à queda de um presidente e à morte de dezenas de pessoas. Depois de eleito, ele mandou cercar o Congresso boliviano por três vezes. Depois de sua renúncia, ele ordenou (fora gravado fazendo isso) protestos violentos pelo país.

Nicolás Maduro é simplesmente Nicolás Maduro.

Ontem, o presidente Donald Trump deu o passo fatal rumo ao abismo. Ele assoprou a última chama de legitimidade que lhe restava na luta para reverter os resultados eleitorais.

Trump perdeu. Há provas de que ocorreram fraudes nas eleições do ano passado. Mas Trump e sua equipe foram incapazes de demonstrar a extensão dela.

O presidente americano iniciou o ano de 2020 reeleito. Conduzia o país em seu melhor momento em décadas. Mas a prepotência o levou a escorregar na forma pública como lidou com a pandemia. Algo que abafou o sucesso de seu governo na forma de enfrentá-la.

Trump perdeu por apostar na tensão. Sob ataque constante, ele preferiu retrucar com intensidade e conflito para vencer. Vale para sua plateia, mas o transformou em algo fácil de combater.

O presidente errou. Apostou em um vídeo no Twitter para conter a tuba. Errou grosseiramente ao não considerar os cenários decorrentes de sua fala para milhares de eleitores convencidos que foram lesados.

Variáveis como a infiltração de antifas entre os seus militantes, corpo mole da polícia de Washington, D.C., ou a simples falta de miolos de alguns de seus seguidores mais entusiasmados. Gente que acredita em teorias anônimas plantadas em fóruns de internet frequentados por adultos mentalmente perturbados por causa de suas frustrações sexuais.

Trump perdeu mais uma vez.

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