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Estados Unidos

Os olhos são de Hugo Chávez, mas as digitais são de George Soros

Não há teoria da conspiração que se preze sem o nome do bilionário húngaro George Soros. Também não há complô bom o suficiente sem o seu envolvimento. O outdoor que se vê acima está exposto em Miami, o reduto da diáspora venezuelana nos Estados Unidos.

Nele, o rosto do presidente Donald Trump aparece com uma intervenção. Sobre os seus olhos estão os de Hugo Chávez. Uma marca usada pelo ditador na última eleição, que disputou em 2012, e que teve como marqueteiro o brasileiro João Santana.

Ao lado do Trump-Chávez há duas frases em espanhol. “Não nos engana outra vez” e “Nós, venezuelanos, votamos por Biden”. E no canto inferior uma hashtag que diz: “fedor de tirano”.

A publicidade é assinada. Foi paga por uma organização chamada Win Justice, que tem sede em Washington, D.C. e que, segundo os registros de seus financiadores, tem como seu maior patrocinador, desde a sua fundação, George Soros.

O cartaz absolutamente bizarro tenta convencer os venezuelanos que Trump é a versão americana de Chávez.

Ironicamente. Um esforço para fazer parte dos refugiados que esperavam que depois de sua posse em 2017, Trump apearia Maduro do poder sob uma tempestade de mísseis e a invasão do país.

O peso do voto de venezuelanos aptos a votar – ou seja aqueles que se naturalizaram – não é expressivo. O outdoor pega carona em outro sentimento anticomunistas existente na Flórida: o cubano.

Para eles, a derrocada de Maduro é uma espécie de prelúdio para o fim do socialismo em Cuba. Algo sem nenhuma relação direta, mas, que na cabeça da diáspora cubana, faz todo sentido do mundo.

É verdade que mesmo em crise a Venezuela segue como patrocinadora do regime chavista cedendo-lhe gratuitamente petróleo. Mas o regime parasita inaugurado por Fidel Castro em 1959 já tem um novo hospedeiro. Primeiro foi a antiga União Soviética. Depois de uma década de crise, Chávez surgiu como o padrinho rico, sorvendo a riqueza de seu povo para alimentar seus ídolos cubanos.

O Brasil deu uma mão durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff que aprovaram empréstimos que nunca serão pagos e abriram as portas do Brasil para escravidão de médicos que permitiram Cuba receber bilhões de Reais que eram confiscados dos pagamentos devidos aos médicos.

O novo avalista de Cuba é o regime chinês. Cada vez mais enraizado na estrutura cubana tem ampliado acesso para as empresas farmacêuticas locais e intensificado o comércio de produtos lícitos e ilícitos.

As digitais de Soros no outdoor de Miami são a parte mais caricata de suas operações para moldar o mundo ao seu gosto.

Militante pela liberação do consumo de drogas, por exemplo, ele usa seu dinheiro para “promover o debate”. Na Bolívia, Soros bancou a edição de um livro exaltando a coca, a folha que é o insumo base da cocaína.

No Brasil, coloca dinheiro em organizações que amplificam a sua mensagem pró-drogas e recentemente bancou páginas e páginas editoriais para abrigar reportagens, que trazem o carimbo de sua organização, tratando sobre políticas de drogas em diferentes países.

No Reino Unido, trabalhou para melar o plebiscito do Brexit tentando emplacar uma segundo consulta popular com objetivo de barrar a primeira.

Ativista das causas progressistas, Soros é, efetivamente, um financiador de contendas que ele define necessárias para construção do seu ideal de mundo. A longa lista de conspirações que lhe são atribuídas poderia ser traduzidas como uma fábrica global de instabilidade.

Esta, aliás, é uma das vantagens competitivas de Soros.

Assim, como em uma das fábulas de Esopo, – na qual um jovem pastor caiu em descrédito por sucessivamente alertar falsamente o ataque de lobos ao seu rebanho – Soros se vale da crença de muitos que já se cansaram daqueles que para tudo gritam: É o Soros! É o Soros! São tantos alertas falsos ou exagerados que, quando ele aparece de fato, pouca gente acredita.

Soros apronta. Apronta muito. A lista é muito maior que os exemplos citados anteriormente. Mas atribuir a ele a onipresença é ajudá-lo.

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