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Bolívia

O caminho para volta de Evo Morales está preparado

No próximo domingo, os bolivianos decidirão quem os governará pelos próximos cinco anos. Será a segunda eleição presidencial em um intervalo de doze meses. No ano passado, a Bolívia entrou com convulsão depois de uma série de protestos contra os flagrantes de fraude que colocaram em xeque a vitória de Evo Morales. Fraudes que foram confirmadas pelos observadores eleitorais da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Não satisfeitos em vencer o primeiro turno, os apoiadores de Morales queimaram urnas, fraudaram atas eleitorais e manipularam os números para fazer parecer que a fatura havia sido liquidada em um round apenas. Não queriam correr risco algum de ver o jogo virar em um segundo turno contra um candidato impopular, mas que atraia o voto anti-MAS, o partido de Evo Morales. E eles sabiam o que faziam. O quarto mandato do presidente cocaleiro estava realente por um fio.

Morales fugiu, vendeu-se como vítima de um golpe e convenceu os incautos de que a democracia havia morrido na Bolívia com a sua renúncia. Como se todas as violações anteriores lideradas por ele e seu partido, até o último segundo daquele processo eleitoral fracassado, não tivessem empurrado o país para instabilidade.

As pesquisas eleitorais recentes sugerem um segundo turno entre o representante de Evo Morales, Luis Arce, e Carlos Mesa, o mesmíssimo candidato que fora roubado na eleição de outubro de 2019. Friamente, um segundo turno fatal para Arce, pois o clima de “todos contra o MAS” geraria uma onda de votos úteis em favor de Mesa.

Mas estatisticamente, o caminho está desenhado para uma vitória de Arce no primeiro turno. O que representa uma volta triunfante do cocaleiro Evo Morales ao poder, por meio de seu preposto.

E como isso pode ser possível? Na Bolívia, para vencer no primeiro turno, o candidato precisa ter 40% dos votos válidos e uma diferença de 10 pontos do segundo colocado.

As pesquisas de intenção de voto ainda não dão esse cenário para Arce, mas quando o povo tiver que ir às urnas no domingo dia 18 de outubro, o medo do coronavírus será o elemento fundamental para o candidato de Evo Morales emplacar sua vitória.

Tal como o PT no Brasil, o MAS tem uma base eleitoral fixa, que no caso dos bolivianos supera os 30% do eleitorado. O que não foi suficiente para eleger Evo Morales no primeiro turno no ano passado e não seria para Arce vencer neste ano.

Os 30% do MAS terão seu peso amplificado pela abstenção. Muitos bolivianos não estão dispostos a sair de casa para votar na semana que vem. Quando menos gente depositar seu voto, mais forte será a chance de Luis Arce levar a eleição no primeiro turno.

Evo Morales, malandramente usará o resultado para reforçar a tese do golpe de 2019, mostrando que o “povo mais uma vez votou pelo MAS”.

O cocaleiro não vai precisar de muito esforço para emplacar essa versão, pois ela já é latente na imprensa nos Estados Unidos e no Brasil, por exemplo.

Os números absolutos, porém, mostrarão que o MAS vencerá com menos votos que no ano passado, quando roubou.

Além das trapalhadas dos opositores de Evo Morales terem ajudado o cocaleiro a trabalhar desde a argentina na recuperação da força de seu partido, a covid-19 pode ser considerada a principal elemento que fará a presidência da Bolívia voltar para o controle das organizações cocaleiras e os socialistas do MAS.

A pandemia não só espantará os eleitores no domingo. O vírus que veio da China adiou a eleição que deveria ter ocorrido no semestre passado e fez a já combalida economia boliviana parar na UTI.

O revide dos cocaleiros do MAS será brutal. Recomendo muita atenção para com o que virá a partir de dezembro, quando Evo Morales voltar a dar as cartas por lá. A imprensa está no topo da lista dos inimigos.

A minha torcida é para que eu esteja errado. Totalmente errado.

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