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Relações Internacionais

No Brasil, a China já não esconde os seus esforços pela diplomacia da instabilidade

Para o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, “está ficando mais louco a cada dia”. Não há novidade alguma no fato de que o representante do regime chinês no Brasil tem se valido de sua função para, publicamente, reforçar o coro de Pequim na briga com os Estados Unidos.

Yang é o mesmo embaixador que, em maio, pediu e foi atendido pelo Congresso brasileiro para que o parlamento não se manifestasse em relação às eleições em Taiwan, país independente, mas que a China considera como sendo uma província rebelde. “A questão de Taiwan é assunto interno da China e relacionada diretamente aos interesses fundamentais do país”, escreveu o diplomata na ocasião.

Yang, entretanto, não se faz de rogado quando o assunto é intervir. No auge da crise de covid-19 no Brasil tocou lenha na revolta dos governadores do Nordeste e estabeleceu um canal de negociação e vendas diretamente com o consórcio criado por eles para juntar forças na relação conflituosa com o governo federal.

E como reação a uma postagem no twitter na qual o deputado Eduardo Bolsonaro associou a demora da China em comunicar a emergência de covid-19 com Chernobyl, Yang ensaiou virar as costas para o Executivo e construir uma linha-direta com o Parlamento.

Hoje, ao comentar uma notícia da agência de propaganda russa RT, Yang fez uma postagem (veja abaixo) usa um proverbio latino, mistura fé e o budismo para justificar a estocada no secretário dos Estado americano.

“Os deuses primeiro enlouquecem aqueles a quem quere destruir” (Quos volunt di perdere dementant prius) veio acompanhado de uma referência ao carma e ao budismo.

O coquetel de Yang Wanming é particularmente curioso. Primeiro. Deus, como citou o diplomata, é algo que não existe no comunismo. Portanto, soa curioso o funcionário acreditar na ação de um algoz divino contra o seu inimigo americano.

Embora o budistas respondam por uma fatia importante da população, eles são minoria na relação com os demais grupos e com o poder opressor do estado chinês sobre as religiões.

No Tibete, que está sob ocupação da China desde 1950, os budistas não apenas perseguidos, mas escravizados. Segundo uma reportagem da Agência Reuters, somente em 2020, mais de meio milhão de tibetanos foram “treinados” para deixar o trabalho no campo para atuar nas linhas de produção chinesas em condições muito parecidas com escravidão.

A citações usadas por Yang Wanming são mais uma peça do jogo de agressões mútuas que tem pautado a relação entre Estados Unidos e China. A “loucura” da história, entretanto é um diplomata lotado no Brasil se dedicar tanto a elevar internamente a temperatura de um debate que se dá em outra liga das relações políticas e comerciais.

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