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América Latina

A implosão da inteligência de Estado na Argentina

Na Argentina de Alberto Fernández e Cristina Kirchner a destruição da inteligência de Estado é uma questão de vida ou morte. Na semana passada, o governo publicou 272 páginas de documentos sigilosos da Agência Federal de Inteligência (AFI) com a justificativa de dar transparência aos atos do órgão centraliza os serviços em atividade no país. As atas trazem nada mais nada menos que os nomes dos agentes, seus números de documentos, postos e locais de lotação.

Nem os vazamentos criminosos do Wikileaks foram tão massivos sobre uma única atividades: a inteligência do Estado. O único paralelo parece vir da ficção, algo que a realidade argentina sempre tende a superar. Em um dos filmes da franquia 007, Skyfall (2012), os maiores bandidões da terra roubam os registros funcionais da inteligência britânica e expõe os seus agentes de campo à morte certa. No filme, o roubo dos dados rendeu uma sequência de ação com espionagem, assassinato, perseguição e muita briga.

Na Argentina de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, a integridade daqueles que trabalham pela segurança dos argentinos foi entregue apenas com uma assinatura.

Nomeada por Fernández como interventora na AFI, a procuradora federal Cristina Caamaño mandou escanear as atas administrativas e as disponibilizou para download.

Ex-presidente de um movimento de esquerda Justiça Legítima, que foi constituído durante a presidência de Cristina Kirchner para questionar os atos do judiciário argentino, a procuradora Caamaño tem um longo histórico de ativismo. Além de ter presidido a associação que pregava uma justiça pró-governo de esquerda, também serviu ao próprio governo ao lado de peças-chave na conexão entre as ações entre a Argentina e Venezuela, dentro do Ministério de Segurança.

A interventora da AFI, Cristina Caamaño (primeira a esquerda) em evento com Adán Chávez (de punho erguido).

Em 2017, estando na oposição a Mauricio Macri, a procuradora se sentou com Adan Chávez, o irmão mais velho e mentor do ex-presidente venezuelano, em um evento em Buenos Aires.

No governo, depois de comandar um expurgo nos órgãos de inteligência, Cristina Caamaño agora é cotada para dirigir o órgão. Como mulher de confiança de Cristina Kirchner ela será peça importante para a atual vice-presidente que há anos trava uma guerra com os serviços de inteligência de seu páis.

Não é de hoje que Cristina Kirchner tem atuado diretamente para implodir a inteligência argentina. Em 2014, fomentou uma disputa interna dentro da precursora da AFI, a extinta Side. A batalha entre os espiões sob o controle dos Kirchner com os outros profissionais levou a uma série de vazamentos e denúncias de espionagem ilegal.

Minando a credibilidade de seus agentes, Cristina os rebaixou ao nível de bisbilhoteiros que a soldo agiam contra os interesses do Estado. Depois de quatro anos de governo Macri, ela volta a atacar. O resultado é imprevisível. Mas uma coisa é visível. Os esforços de Cristina Kirchner em minar a inteligência Argentina nunca foram tão consistentes. O que está por vir por vigilância ideológica pura e simples. Não é à toa que eles admiram tanto a Hugo Chávez.

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