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Relações Internacionais

Como Maduro se aproveita do falso risco de uma guerra entre Brasil e Venezuela

Os ex-chanceleres brasileiros sabem que o Brasil não entrará em guerra contra ninguém. Que constitucionalmente o país tem uma série de restrições. Nunca pode atacar. Apenas reagir. Mesmo assim, a penas com a autorização do Congresso. E nas vezes que agiu, sempre sob a coordenação da Organização das Nações Unidas (ONU), foi em missões estabilizadoras como as no Egito, Congo, Haiti, Timor Leste e Líbano. Quem passa pela carreira diplomática estuda isso e sabe de cor e salteado o regramento. Mas nos últimos dois anos, a miragem do enfrentamento militar entre brasileiros e venezuelanos tem sido recorrente a assombra quem deveria saber que tudo não passa de uma ilusão.

O mesmo falso dilema aflige congressistas que parecem não botar muita fé nos poderes que a Constituição lhes confere.  No artigo 49, que trata das competências exclusivas do Congresso Nacional, fica claro que sem a anuência dos parlamentares, o Executivo não pode tomar decisão alguma sobre o trânsito ou permanência de tropas estrangeiras em território nacional e muito menos sobre uma guerra.

Nesta semana, o Senado discutirá a questão. Vai cobrar explicações do ministro das Relações Exteriores sobre a visita do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeu, o que eles consideram uma afronta à soberania do Brasil e uma provocação ao vizinho Maduro.

Os chanceleres chamaram de “uso espúrio do território” para fazer ameaças de guerra a um país com qual o Brasil mantem uma relação de paz.

Desde 2018, Maduro está chamando o Brasil para briga. Maduro sabe que pode espezinhar as autoridades brasileiras à vontade. Talvez, porque, no Palácio de Miraflores, sede do governo Venezuelano, o entendimento da Constituição brasileira seja mais funcional. Uma vantagem competitiva para Maduro sabe que no lado sul de sua fronteira, as discussões sobre o que realmente importa sobre o seu regime são secundárias. O importante é fazer barulho. Muito barulho.

Na primeira provocação, Maduro acusou o presidente Bolsonaro de fazer parte de uma conspiração internacional para matá-lo e iniciou uma escalada militar na região. Posicionou sistemas antiaéreos na fronteira com a Colômbia e estacionou radares que compõe sistemas de ataque próximos ao Brasil.

Apesar de a ameaça ter sido pura encenação, nem o Parlamento nem os chanceleres se uniram para reprovar o belicismo de Maduro no apagar das luzes do governo do presidente Michel Temer.

Especialistas militares analisaram as imagens de satélites e descobriram que as armas de Maduro tinham suas capacidades e muitas sequer funcionavam. Mas isso não importava. Maduro não planejava disparar um tiro. O ditador queria testar até onde poderia ir com a afronta. E a descoberta é que do lado brasileiro da fronteira, a margem tolerância é superlativa. Em uma das encenações mais ostensivas, Maduro ameaçou “arrebentar os dentes” do presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

É evidente que o Brasil não tem que ceder às provocações de um chefe de Estado-Máfia. Mas é surpreendente como uma cepa de autoridades não só tolera como justifica as agressões deu um regime que seria saudável relembrar não é reconhecido não só pelos Estados Unidos, mas 54 países, entre os quais estão todas as maiores democracias do planeta.

Com Maduro estão China, Rússia, Irã, Turquia, Nicarágua e Cuba. Deveria ser autoexplicativo.

A guerra que Maduro empreende contra o Brasil é reflexo do conflito que está em curso dentro da própria Venezuela. Mas para entender que guerra Maduro combate, é preciso esquecer o conceito mais comum que é o que tanto parece amedrontar aqueles que sempre veem o risco de um conflito bélico no horizonte.

Nas últimas duas décadas, o chavismo maturou modelos de guerra que se mostraram muito mais eficientes que as tradicionais. Sem que o mundo percebesse, transformaram os cartéis de drogas do México na praga que hoje coloca em xeque as instituições mexicanas e inundas os Estados Unidos com drogas. Na rota fizeram explodir a violência na América Central e deram o suporte necessário para as Farc se livrarem da extinção eminente que derivaria da erradicação dos cultivos e da repressão militar para transformá-los em força política na Colômbia.

Maduro é um criminoso que enterrou o seu país em uma crise que corroeu 70% do PIB, expulsou 5 milhões de pessoas e transforou o Estado em um ressorte de máfias que operaram livremente e com repercussões em várias partes do globo, inclusive no Brasil.

Mas, a rejeição aos presidentes Donald Trump, dos EUA, e Jair Bolsonaro, do Brasil, criou um ambiente bizarro. Para ser contra, vale até adular um tipo da natureza de Nicolás Maduro e seu regime.

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