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Estados Unidos

Os intrusos na eleição americana

A imagem acima apareceu hoje na página de pesquisas do Google. Uma campanha para estimular a participação dos eleitores em um processo que não é obrigatório nos Estados Unidos. Até aí, tudo bem. Mas um detalhe me chamou a atenção. Uma das mensagens está em espanhol.

Nos Estados Unidos o direito ao voto é exclusivo dos cidadãos (natos) e dos naturalizados, que não necessariamente falam espanhol. Aliás, um detalhe relevante é o seguinte: para obter cidadania, o candidato tem que apresentar um certo nível de proficiência em inglês para, inclusive, ser capaz de votar em uma cédula impressa na língua oficial dos Estados Unidos.

O anúncio do Google não é um fato isolado. Usando a própria ferramenta de pesquisa é possível encontrar em diversas fontes oficiais modelos de cédulas eleitorais empregadas nas eleições americanas (veja abaixo). Muitas delas são impressas nos dois idiomas ou são 100% em espanhol. Uma cortesia um tanto esquisita levando-se em conta dois fatores: 1) O espanhol não é a língua universal dos estrangeiros que se naturalizam. 2) Como já foi dito no parágrafo anterior, quem pede para virar americano deveria ser capaz de se virar minimamente em inglês.

De acordo com o Pew Research Center, os Estados Unidos são o lar de cerca de 25 milhões de não-cidadãos. Mais da metade com status de residentes permanentes (portadores dos chamados Green cards), uma pequena parcela trabalhando ou estudando legalmente (2,2 milhões) es outros 10,5 milhões de ilegais. Nenhuma dessas pessoas pode ir às urnas em outubro votar. É um crime federal que dá cadeia, geral multa e perda do status migratório e deportação.

Mas, apesar disso, milhares e milhares de imigrantes legais e sobretudo ilegais votam. E as cédulas bilingues são fundamentais par ajudar na trapaça que grassa aproveitando-se de um sistema que foi construído em um passado que tinha a confiança como alicerce.

Em quinze dos cinquenta Estados americanos e na capital Washington, D.C. – que juntos concentram 43% da população –, os eleitores não são obrigados apresentar nenhum tipo de identificação na hora de votar. Por sinal, é ilegal exigir deles qualquer tipo de prova de identidade. Em outros catorze Estados, que abrigam outros 14% dos eleitores, basta apresentar qualquer fatura de cartão de crédito ou conta de luz como comprovante de identidade e residência (os detalhes sobre as regras em cada um dos Estados americanos pode ser consultados aqui).

São cada vez maiores as evidências de abusos do sistema por parte de não-cidadãos. Há estimativas de pelo menos 90.000 eleitores ilegais Texas. Em 2012, a Flórida identificou 180.000 eleitores que se registraram sem ser cidadãos. Faltam estatísticas nacionais, mas é praticamente impossível que ele não se replique nos Estados que possuem regras mais frouxas para o registro de eleitores.

E não há ingrediente algum de xenofobia na lei federal que restringe a participação de não-cidadãos nas eleições. Talvez, os Estados Unidos sejam o país que tem a maior influência de estrangeiros em seu sistema eleitoral. Atualmente um em cada dez eleitores registrados são imigrantes que se naturalizaram.

Gastou-se muito tempo e dinheiro nos últimos anos na investigação de uma lorota russa que ganhou corpo no imaginário e na imprensa que a opinião pública – e consequentemente as eleições – americanas foram manipulas por fake news postadas em redes sociais.

O ¡Regístrate para votar! Na home do Google pode ser o sintoma de algo que sim pode influenciar na eleição americana.

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