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Mundo

Estão no Brasil as provas de que a Huawei violou as sanções impostas ao Irã

A gigante de telecomunicações Huawei é acusada por procuradores americanos de ter se valido de uma “subsidiária não-oficial” para violar as sanções impostas ao programa nuclear iraniano. O caso emergiu depois de uma investigação de operações de lavagem de dinheiro, que usou o sistema bancário americano, com destino ao Irã. Os Estados Unidos descobriram que uma empresa, Skycom Tech Co. Ltd., até então suspeita de ter vinculações com a chinesa Huawei, era a fachada para as operações criminosas entre 2007 e 2014.

Entre os crimes, descobertos pelas autoridades americanas estava a tentativa da Skycom de enviar equipamentos eletrônicos americanos, que seriam usados no programa nuclear do Irã.

Por causa disso, a filha do fundador da Huawei e diretora financeira da companhia, a chinesa Wanzhou Meng, foi presa no Canadá no final de 2018, a pedido das autoridades americanas. Sua detenção passou a ser justificada pela Huawei e pelo governo da China como parte da “guerra comercial” (o argumento de sempre) que estaria sendo motivada pelos Estados Unidos.

A defesa de Meng – que tenta evitar a sua extradição para os Estados Unidos – negou qualquer vínculo entre a Huawei e a Skycom após 2007 quando a telecom havia vendido sua participação na empresa. Versão que sempre foi contestada pela justiça americana que considera a Skycom um braço de Huawei no Irã.

Uma reportagem da agência Reuters, publicada ontem, revelou que os reais vínculos entre a Huawei e a Skycom. Documentos depositados na Junta Comercial de São Paulo mostram que a Skycom e a Huawei são mais que os chineses tentaram fazer parecer e demonstra que a defesa de Meng mentiu para as autoridades canadenses e americanas. Ou que o próprio Departamento de Justiça havia sido capaz de acusar. As duas companhias são uma só.

A Huawei abriu sua filial brasileira em fevereiro de 1999. Três anos depois, uma das sócias da Huawei no Brasil, a Shenzhen Huawei Technologies Co. Ltd, se retirou da sociedade e deu lugar para a famigerada Skycom Tech Co. Ltd.

A Skycom, empresa que os chineses tentam negar vínculo com a Huawei, foi formalmente dona da Huawei no Brasil entre 2002 e março de 2012, quando se retirou da sociedade.

Os documentos depositados no Brasil mostram que os atos em nome da Shenzhen Huawei Technologies Co. Ltd no Brasil eram assinados nada mais nada menos que por Ren Zhengfei, o fundador da Huawei e pai de Meng, que está detida no Canadá.

A coleção de documentos empresariais da Huawei no Brasil traz uma série de atos da Skycom que foram assinados Wanzhou Meng. Pai e filha juntos. Um deles foi assinado por Meng é de julho de 2008 (veja abaixo). Um ano depois da suposta venda da Skycom, conforme Meng e a Huawei declaram em juízo nos Estados Unidos.

A Skycom somente deixou a sociedade no Brasil em março de 2012, repassando os seus ativos para Huawei Technologies (Netherlands) B.V., a filial holandesa da própria Huawei.

Os documentos brasileiros da Huawei podem ser a peça que faltava para que os procuradores americanos possam enterrar as chances de os chineses seguirem negando os vínculos com os iranianos.

Até a revelação pela Reuters, as autoridades americanas tratavam a Skycom como uma subsidiária da Huawei no Irã. Os documentos brasileiros mostram que as duas companhias são a mesma coisa e que por uma década, a Skycom foi sócia, ou sem meias palavras dona da Huawei no Brasil. Um vínculo muito mais profundo capaz de transformar a Huawei em uma empresa pária que violou sanções impostas pelos Estados Unidos, União Europeia e pela própria Organização das Nações Unidas.

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