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América Latina

Algo deve mudar para que tudo continue como está

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, foi eleito no ano passado prometendo limpar o país da corrupção sistêmica que os políticos da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), um guarda-chuva político que passou a reunir os egressos dos movimentos guerrilheiros de esquerda dos anos de 1970. A FMLN chegou ao poder no país em 2009, com a eleição de Mauricio Funes, que teve a companha integralmente paga Odebrecht sob ordens do ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva.

Um estudo divulgado hoje pela empresa de consultoria IBI, com sede em Washington, D.C., descreve o que pode ser interpretado como o fracasso das promessas de campanha de Bukele. O documento assinado por Douglas Farah, um reputado investigados de crimes transnacionais e especialista em assuntos centro-americanos, indica que o presidente salvadorenho manteve ou, em uma leitura mais otimista, não conseguiu se livrar das redes de corrupção instaladas no país desde a eleição de Funes. Segundo Farah, sob o comando do ex-lider guerrilheiro José Luis Merino, os tentáculos da FMLN seguem alcançando importantes setores do governo de Bukele. Merino é o elo entre as estruturas locais de corrupção, com os cartéis mexicanos e o governo da Venezuela, que por anos mantém forte influência sobre El Salvador, por meio de contratos de fornecimento de petróleo.

O documento afirma que Merino está diretamente envolvido no “desaparecimento” de 1 bilhão de dólares de subsídios venezuelanos que foram repassados ao longo dos anos. Com um passado recheado de acusações de sequestros, lavagem de dinheiro e tráfico de armas, Merino é considerado a figura chave nas redes de operação financeiras que conectam a política e as máfias internacionais que tomam conta dos países bolivarianos.

El Salvador é o país mais perigoso do mundo. Dono das maiores taxas de homicídio do planeta, o país que tem uma área população de 6,5 milhões de pessoas apinhadas em uma área menor que a do estado de Sergipe.

O fim da guerrilha deixou um país destroçado e marcado pela brutalidade da violência. Não por acaso, o país é o nascedouro de algumas das gangues mais sangrentas a América Central com atuação até nos Estados Unidos, a MS-13.

Com a chegada de Funes ao poder, com o total financiamento de Lula, por meio dos esquemas da Odebrecht, El Salvador conectou-se com a Venezuela como parceiro estratégico de expansão dos interesses de Caracas na região.

A oferta de cocaína aumentou e as maras, como são chamadas as gangues locais, ganharam força extraordinária.

Bukele foi eleito por representar a novidade e mudança. Mas ao que aparece, tudo ainda é uma promessa.

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