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América Latina

Venezuela e a oposição antropófaga

“No momento em que Maduro se for todo mundo vai levantar a mão ‘me escolha, eu sou o novo presidente da Venezuela’. Seriam mais de 40 pessoas dizendo que são os legítimos herdeiros de Maduro”. O diagnóstico preciso foi dado pelo secretário de Estado, Mike Pompeo, em 2019, em uma reunião privada na qual ele apresentava suas impressões sobre o futuro do país latino-americano, que enfrenta a mais complexa e profunda crise política, econômica, institucional e humanitária no hemisfério. Pompeo sabia o que dizia.

Na fila para substituir o ditador Nicolás Maduro há uma variedade de postulantes que se mostram mais proficientes em dar rasteiras nos rivais que causar danos ao ditador. A mais recente delas é a rinha em torno da candidatura ou não de chapas opositoras nas eleições legislativas de dezembro.

O presidente encarregado Juan Guaidó – que desde janeiro de 2019, reivindica a presidência da Venezuela e é reconhecido por mais de meia centenas de países, incluindo o Brasil – defende que os opositores devem boicotar o pleito. Alega que com Maduro não há conversa. Ele lidera quase três dezenas de organizações que pregam a abstenção.

Na outra ponta estão os enchufados, como são os opositores conectados com o governo, que defendem participação irrestrita para construir uma “saída democrática par crise”. A clássica lorota de quem compõe a qualquer custo para se manter em cargos e com acesso aos benefícios que o poder proporciona mesmo aos “opositores”.

Correndo por fora está a solitária Maria Corina Machado, ardente defensora de uma intervenção militar na Venezuela. Para ela, não há eleição que resolva, portanto, Maduro e as máfias que controlam o país só sairão pela força. Machado que disfarça sua campanha pela entrada de militares estrangeiros no país chama seus planos pelo palatáveis “de operação de paz e estabilização”.

Em desacordo com Guiadó, que ela considera ter fracassado em sua missão de enxotar Maduro, convocando tropas estrangeiras, Machado divulgou na semana passada um vídeo e uma carta com uma série de críticas ao presidente encarregado.

O canibalismo opositor venezuelano revelou o apetite voraz de conhecido comensal. O Turquia revelou que o ex-candidato à presidência Henrique Capriles  vinha mantendo conversações com seus diplomatas e com o governo de Maduro para construir a tal “saída democrática” para Venezuela. Informação que provocou reação e crítica de Guaidó.

Com seus planos tornados públicos Capriles foi para o ataque e convocou os venezuelanos a virarem as costas para os ex-colegas Guaidó e Maria Corina Machado para partir para o que ele definiu como “brecha democrática”.

Enquanto os opositores batem cabeça, Maduro segue firme. Seus dias finais foram anunciados 1001 vezes. A oposição venezuelana, que reúne os nomes alternativos ao ditador, sequer se reconhece ou se tolera. Enquanto eles se devoram, o regime inaugurado por Chávez assiste e se diverte.

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