Loading
América Latina

A história secreta das FARC no Brasil

Os arquivos localizados no computador do ex-comandante das FARC, Raul Reyes, morto em um bombardeio em 2008, têm muito a nos ensinar sobre o Foro de São Paulo. Eis alguns highlights.

O brasileiro Marco Aurélio Garcia, que foi o assessor de assuntos internacionais da Presidências da República no governo de Lula, era considerado pelas FARC um inimigo. Os terroristas colombianos odiavam o assessor, que viria a morrer em 2017,  ele queria as FARC fora e longe do Foro de São Paulo. Para Garcia, o grupo era um peso e risco de imagem para o FSP.

Temendo perder a legitimidade que os partidos membros do Foro de São Paulo lhes emprestava, as FARC, relata em um dos e-mails enviados por Reyes, foram bater nas portas do ditador cubano Fidel Castro – fundador e um dos mandachuvas do FSP. Segundo os terroristas, Fidel fora acionado para neutralizar os planos de Marco Aurélio Garcia. Os e-mails deixam claro que Fidel impediu que Garcia expulsasse as FARC do Foro.

Em outro e-mail, desta vez enviado pelos terroristas das FARC que viviam no Brasil, estão descritos os detalhes de como José Dirceu, então ministro da Casa Civil, foi o responsável pela diplomacia paralela que não só fortaleceu o papel das FARC dentro do Foro de São Paulo como com o próprio PT.

Os documentos que descrevem as ações das FARC no Brasil foram entregues ao ex-presidente Lula pelo colombiano Alvaro Uribe. Mas o gabinete de Lula os engavetou. Quando o conteúdo de algum deles vazou, os petistas trataram de minimizar o conteúdo. “Eram irrelevantes”.

Os papéis trazem detalhes que seriam curiosos se não fossem bizarramente constrangedores para os envolvidos. Há o caso de um juiz do Rio Grande do Sul que pediu para receber treinamento militar na Colômbia. Os deputados que faziam doações para as FARC no Brasil e até pagavam o aluguel de alguns de seus membros. Jornalista/assessor petista que usou da profissão para fingir ir aos territórios das FARC para produzir reportagens, mas estava coordenando a diplomacia clandestina a pedido de José Dirceu e Cuba.  

Por vários anos, vi o Foro de São Paulo como uma agremiação mofada onde ditadores embolorados se afagavam. Mas a leitura dos documentos que o governo Lula ocultou ensina que o Foro, como objeto de vida ou morte para as FARC, não pode ser algo apenas figurativo.

O Foro de São Paulo é muito mais que a sigla ou eventos anuais repletos dinossauros da esquerda latino-americana. O Foro não faz sentido quando pensado assim. Suas ações e efeitos não são registrados em atas ou definidas em assembleias públicas.

O Foro é um dia a dia com ações planejadas e executadas nas sombras ou nem tanto assim. As digitais deles estão nas caravanas de imigrantes que infernizaram a fronteira sul dos Estados Unidos passando por protestos de rua no Chile, Colômbia e Bolívia.

Os já falecidos Chávez e Fidel montaram uma rede de tráfico em escala estatal que incluía as FARC, a Bolívia de Evo Morales e a Nicarágua de Ortega não só para fazer dinheiro sujo. A cocaína é usada como arma contra os inimigos e fonte de financiamento de instabilidade. O Foro de São Paulo não é uma reunião. O Foro é uma estratégia pelo meio da qual a política formal se mistura com os mais diversos crimes transnacionais.

 , , , , , , ,
Wordpress Social Share Plugin powered by Ultimatelysocial