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América Latina

O câncer de Chávez dez anos depois

Há exatos dez anos, Hugo Chávez começava a sentir os primeiros sintomas do câncer. Ele achava que fazer exames e confirmar o que já se suspeitava o fragilizaria. Mais do que isso poderia colocar em risco a sua revolução. Chávez não tinha medo de perder nas urnas em 2012. Ele temia o risco de ser boicotado pelos apaniguados. Messiânico, ele tinha a certeza de que, sem o poder de sua figura, o Socialismo do XXI, como ele batizou o processo que empurrou a Venezuela ao abismo, seria reconfigurado.

Chávez estava certo e errado ao mesmo tempo. Seu ex-guarda-costas, ministro e vice-presidente Nicolás Maduro aperfeiçoou o chavismo. Deu ao Socialismo do Século XXI a sua dimensão real. Mas Chávez estava correto sob o aspecto da propaganda. Sua liderança dava à cleptocracia venezuelana um pretexto revolucionário que seu sucessor jamais foi capaz de replicar.

Somente em junho de 2011, em uma visita ao Brasil, escorado em uma muleta, que Chávez deu os primeiros sinais públicos de que algo não ia bem. Para todos, ele dava a desculpa de ser uma lesão sofrida em uma partida de basebol, o seu esporte favorito.

Dilma Rousseff e Hugo Chavez em solenidade no Palácio do Planalto, em junho de 2011.

Os petistas Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva tentaram convencer Chávez a fazer uma visita ao Hospital Sírio Libanês, mas o venezuelano impôs tantas condições, que tornava inviável a sua presença no hospital. Os detalhes podem ser lidos neste trecho de Hugo Chávez, o espectro (2018).

Chávez embarcou diretamente para Cuba, onde o regime lhe daria as condições manipular as informações sobre sua doença. Lá, ele fora diagnosticado com um tumor de próstata.

Os cubanos extirparam a glândula ignorando os indicativos de metástase – possivelmente nos ossos. Erro que pode ser interpretado como a sentença de morte do venezuelano que viria a falecer dois anos depois.

Os petistas Lula, Dilma e Jaques Wagner no velério de Hugo Chávez

O combate secreto de Chávez contra o câncer chegou ao fim em março de 2013. Em três semanas, os chavistas celebrarão o oitavo aniversário de sua morte.

Os venezuelanos, até hoje, não sabem o que aconteceu em Cuba. Há dúvidas sobre a data exata da morte do então presidente. Não há, sequer, a certeza de que ele ainda estava vivo quando “tomou posse” remotamente de um hospital.

Em março, Nicolás Maduro completará oito anos no comando da Venezuela. Oito anos alimentando o espectro de Chávez, que alguns incautos insistem em dizer que não era um ditador.

Com Maduro, a ditadura ficou exposta. Mas as técnicas de dissimulação se tornaram ainda mais eficientes. Chávez e depois ele, quebraram a indústria petroleira da Venezuela. Em 22 anos de chavismo, a produção de petróleo – a principal riqueza do país – não apresentou um ano sequer que aumento. Caiu constantemente até chegar ao momento atual em que produz em níveis semelhantes aos dos anos 30 do século passado.

Mas Maduro segue vendendo com sucesso que a tese que a carestia de seu povo, que hoje não tem gasolina para abastecer seus carros, ou gás para cozinhar é culpa das sanções aplicadas ao regime. Queixa atendida por uma relatoria especial da ONU, que recomendou o fim das sanções.

Chávez lidou com o próprio câncer da mesma forma que governou o país. Maduro, pode-se dizer foi a metástase. A Venezuela agoniza e boa parte do mundo ainda acredita nas notícias que vem de lá. Nas versões chavistas para justificar e transferir responsabilidades.

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