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América Latina

A estética fascista presente na despedida do craque comunista

Maradona, presente! É assim que a esquerda costuma saudar os seus mortos, tornando-os convenientemente insepultos. Foi assim com Hugo Chávez, Fidel Castro e agora com Diego Armando Maradona.

O craque argentino deixou os amantes do futebol de luto, mas também a militância esquerdista que o idolatrava pelo seu fascínio pelo gerontocratas cubanos e tudo que se assemelhava aos regimes socialistas latino-americanos. O gênio dos gramados era um autêntico perna de pau ideológico. Mas isso não importa. É do jogo.

A notícia da morte de Maradona ressoou nas redes sociais. Os brasileiros do PCdoB, PCB, PT e MST não perderam a chance postar a saudação. O Maradona, presente! também ganhou destaque na página do Partido Comunista do Canadá e até na nada comunista Conmebol.

Mas de onde vem esta saudação? Trata-se de uma obra genuinamente fascista. Cuja origem está descrita no envolvente M, o filho do século do italiano Antonio Scurati.

Em janeiro de 1922, os fascistas que atendiam a um sepultamento estavam perplexos diante do assassinato de um do seus mais abjetos partidários. Federico Guglielmo Florio morreu com um tiro a queima-roupa desferido por um operário cansado de tomar chibatadas desferidas pelo fascista que se regozijava em acertar o chicote no rosto dos comunistas.

Florio era um sádico que justificava a violência como forma de reeducação do operariado que três anos antes se organizou em uma greve.

As lojas e fábricas de Prato, a região da Toscana, fecharam as portas em sinal de luto. O cortejo fúnebre reuniu um multidão. A missa fora celebrada pelo bispo local e as legiões fascistas desfilaram sob o olhar consternado da população.

Autoridades nacionais do Partido Nacional Fascista compareceram à cerimônia e trouxeram consigo uma saudação de Benito Mussolini.

No cemitério, instantes antes de o coveiro jogar a primeira pá de terra sobre o caixão de Florio, um grito quebrou o ambiente de silêncio. “Onde está o camarada Federico Guglielmo Florio?

A resposta veio ensaiada por parte de mais de mil combatentes fascistas. “Presente!” “Camarada Federico Florio, presente!”.

A mensagem fascista fora criada para eternizar seus mortos que passaram a ser, não apenas enterrados, mas vingados e eternizados em uma mensagem propagandística ancorada no apelo emocional.

Sempre que o defunto se fazia útil, a evocação de seu nome seguido do “presente” serviu para alimentar os interesses motivacionais fascistas.

A esquerda, seja no Brasil ou fora dele, adora esculhambar todo mundo ao chamá-los de fascistas. Mas quando reverencia seus heróis, o faz sob um brado criado pelos seguidores mais radicais de Mussolini.

Talvez o faça por causa de uma profunda ignorância. Mas não se pode descartar a possibilidade da identificação pela mais pura estética fascista.

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