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Estados Unidos

Trump segue na briga. O que virá depois das eleições de 2020?

A eleição americana ainda está em aberto. Mas pouco importa para o democrata Joe Biden que deu o bote na tarde deste sábado e declarou-se vencedor. O democrata tem em seu favor o fato de que a apuração que projeta sua vitória ter sido validada pela imprensa americana. Sim a imprensa.

Muita gente que acompanha as eleições americanas talvez não tenha se dado conta que a divulgação dos resultados não se dá por meio de órgãos eleitorais. Todos os mapas. Todas as projeções nacionais são dos jornais, sites, emissoras de televisão. Cada qual com sua infraestrutura espalhada pelo país, recebendo de primeira mão os dados dos Estados.

Não há um órgão eleitoral que junta as pontas e faz o anúncio, como os brasileiros são familiarizados.

Sempre foi assim nos Estados Unidos, onde a eleição presidencial é um compilado de 50 eleições diferentes em cada Estado da federação, mais Washington, D.C., a capital. O mapa abaixo mostra o quadro atual. Projeções de vitórias e estados contestados.

Fonte: The Epoch Times

Em tese, Biden ainda não poderia dizer que venceu. Se fosse apenas pela apuração, que ainda não está concluída, pode-se considerar a vantagem matemática. Mas Donald Trump contesta os números de quatro estados. Dois já teriam dado a vitória para Biden (Pensilvânia e Wisconsin) e outros dois, Arizona e  Geórgia, estão na reta final da contagem, mas indicam, segundo os número disponíveis, uma vitória de Biden.

Antes de seguir adiante, vale um destaque: o fato de a imprensa ser quem entrega os resultados nacionais não é sinônimo de fraude. Sempre foi assim e não se trata de inovação para roubar Donald Trump. É mais uma das esquisitices, aos olhos subtropicais, das eleições presidenciais americanas, cujos problemas reais vão muito além de quem confecciona o mapa.

O ponto crítico deste ano, entretanto, é que o questionamento dos resultados atingiu níveis superlativos se comparados com a peleja entre Bush e Al Gore na Flórida, em 2000. Há disputas em campos de batalha diferentes tendo em jogo algumas centenas de milhares de votos.

E os mapinhas da imprensa são uma peça-chave para entender como a reação de Trump se torna uma missão de difícil sucesso.

Todo mundo colou os olhos no gráfico que mostrava que Biden liderou desde o primeiro momento. Foi um voo de cruzeiro rumo à vitória, embora com algumas turbulências quando esteve atrás no voto popular e havia uma real tendência de Donald Trump conquistar estados que eram considerados já dominados pelos democratas.

Mas, por um bom tempo, Biden liderou no mapa sem efetivamente estar à frente. Citando dois exemplos, apenas, naquele primeiro dia de apuração, Trump liderava na Virgínia com larga vantagem. Mas todos os infográficos eleitorais vinham com a cor azul sólida. Presumindo uma vitória de Biden que depois se materializaria, mas que por horas a fio não era real. No outro lado do rio Potomac, na vizinha Maryland, o fenômeno era ainda mais grosseiro. O Estado tinha zero votos apurados, mas já estava pintado como fazendo parte da matemática de Biden.

Maryland é sim um estado democrata. Não há nenhum roubo ou fraude no que aconteceu. Mas a antecipação dos resultados sempre colocou o republicano em uma posição de retardatário, mesmo quando estava em empate, ou mesmo na frente. Atitude levou sua campanha de Trump reclamar com a ex-aliada Fox News. Tarde demais. Ele estava abandonado.

A polêmica do mapa foi apenas o caminho que levou a um evento inédito. Os três maiores canais abertos dos Estados Unidos – ABC, CBS e NBC – cortaram a transmissão de um discurso de Trump alegando se tratar de mentira. Um abuso, lamentavelmente celebrado como correto, mas que demarcou de forma definitiva a perda o isolamento do presidente e a pressão social sobre o judiciário que é quem vai julgar os recursos do presidente. O eleitor democrata e a opinião pública fora do país intensificam o certo.

Os microfones de Trump foram desligados. Em dimensões superlativas, o presidente-candidato foi cancelado. A tática de silenciá-lo é algo tenebrosamente comemorada por aqueles que dizem que lutam pela democracia e liberdade.

Não é impossível, mas é algo improvável que Trump reverta completamente o resultado. A fraude que ele acusa ter acontecido teria que ter reduzido o sistema eleitoral americano ao padrão boliviano. Por mais doido que possa ser, é mais fácil investigar fraude na Bolívia que nos EUA, devido as múltiplas características de suas 51 eleições simultâneas.

Ainda que a recontagem e a Justiça deem razão a Trump, será tratado como um mau perdedor. Não como o homem que venceu e que por pouco não teve o segundo mandato roubado por corruptos que abusam de um sistema baseado na confiança.

Ao invés de América se unir para refletir sobre o problema e saná-lo para proteger a democracia mais longeva do planeta, há uma inevitável tendência à ruptura.

O jogo está sendo jogado, mas Trump, mesmo ganhando, terá perdido. As fraudes, se provadas, jogarão por terra a confiança no sistema, podendo arrastar inclusive a Suprema Corte dos Estados Unidos para uma crise de credibilidade para aqueles que defendem Biden. Se nada ocorrer, o eleitor republicano sairá com a certeza de quem ganhou não levou.

A desconfiança e o descrédito podem ser sementes de algo daninho para um futuro bem próximo dos Estados Unidos.

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