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América Latina

Chile: o sucesso latino-americano colocado à prova

O Chile é o país que mais acertou na América Latina. Mas, para boa parte dos chilenos, não. Observado de fora, o Chile sempre foi um modelo a ser seguido. Visto de dentro também era. Mas, no ano passado, uma onda de protestos fez parecer que a ilha de prosperidade na região escondia um Sudão atrás de seus números espetaculares, entre os quais o menor PIB per capita do continente.

Os protestos violentos, que diziam ter como fundo a reação à desigualdade social, encurralaram o presidente chileno Sebastián Piñera que cedeu à uma antiga pressão da esquerda pela mudança na atual Constituição que, apesar de alterada em sua maioria, é uma obra do regime de Augusto Pinochet.

Para mais de 78% dos eleitores que votaram em um plebiscito neste domingo, o país precisa de uma nova Carta Magna para ajustar os “abismos” que deram origem aos protestos de 2019, ignorando o fato de que mudar as regras que levaram o país a atingir os melhores indicadores da região pode resultar em uma mudança de rota rumo o abismo.

O IDH do Chile é de longe o melhor entre os sul-americanos. O país também tem o melhor índice de liberdade econômica da região e o segundo melhor das Américas, atrás apenas do Canadá.

O que está em curso no Chile é uma reação da esquerda latino-americana ao que mais a assombra: desenvolvimento.

Mesmo passando pelas mãos de governos esquerdistas, os chilenos jamais abandonaram a rota do liberalismo econômico que está na base do sucesso que descolou o país do modelo regional, marcado pelo populismo.

Aliás, invariavelmente, o populismo pode ser a marca da nova Constituição chilena que nasce contaminada pela pressão antifa e black bloc que entre tantos absurdos tenta inclusive banir o cristianismo.

Os chilenos terão doze meses para fazer o trabalho. Convocarão uma Assembleia Constituinte eleita que terá a missão de desenhar as novas leis.

No plebiscito de domingo, os chilenos votaram para melhorar a imagem feia que eles passaram a pensar que sua sociedade tem. Mas, se ao invés de olharem para um espelho mofado do passado, eles dessem uma espiada pela janela, veriam que logo ali, bem nas suas franjas, estão Argentina e Bolívia.

Aí, sim, entenderiam o que Chile (ainda) é.

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